Motoboy e entregador

Motoboy com carteira tem direito a 30% a mais no salário.

A lei trata o trabalho de moto na rua como atividade perigosa, e isso vale 30% sobre o salário. Quem tem o horário controlado pela empresa também tem hora extra, e o acidente de moto no serviço é acidente de trabalho. Veja os direitos mais cobrados pela profissão e o que guardar desde já.

Entregador parado na calçada ao anoitecer, olhando o celular

A rotina de quem entrega de moto, e o que a lei diz sobre ela

Quatro coisas fazem parte do dia de todo motoboy, e cada uma tem uma regra na lei. É nelas que costuma estar o dinheiro que a empresa deixa de pagar.

  • CLT, art. 193, §4º

    Moto na rua o dia inteiro

    Usar a moto em vias públicas a serviço da empresa é atividade perigosa e vale 30% sobre o salário-base. O trajeto de casa e o uso eventual ficam de fora.

    Resposta completa: periculosidade
  • CLT, art. 62, I

    Rota e horário no sistema

    Se a empresa acompanha as entregas por aplicativo, rádio ou rastreador, ela controla o seu horário, e a hora a mais é paga como extra.

    Ver quanto valem as horas extras
  • CLT, art. 2º

    A moto e o combustível são seus

    O risco do negócio é da empresa. Muitas convenções preveem aluguel da moto e combustível, e o gasto sem reembolso pode ser cobrado.

    Cobrar o uso da moto própria
  • Lei 8.213, art. 19

    Queda e acidente no trânsito

    O acidente de moto na entrega é acidente de trabalho. A Justiça costuma tratar a moto como atividade de risco, e aí a empresa responde mesmo sem culpa.

    Resposta completa: acidente de trabalho

Os direitos mais cobrados por motoboys e entregadores

Estes são os seis assuntos que mais pesam para quem entrega de moto. Cada um tem uma página com a regra completa, as provas e o prazo.

Quanto um motoboy deixa de receber em um ano, sem periculosidade e com uma hora extra por dia

Com salário de R$ 2.000, a periculosidade e uma hora extra por dia somam R$ 15.028,20 em um ano. Como a cobrança alcança os últimos cinco anos, cada mês de espera tira em média R$ 1.252,35 da conta.

A conta da hora: o salário com a periculosidade, R$ 2.600, dividido por 220, que é o total de horas pagas no mês de quem trabalha 44 horas por semana, dá R$ 11,82. Com 50% a mais, a hora extra vale R$ 17,73. A periculosidade entra na base da hora extra (Súmula 132 do TST).

Estimativa sem correção, juros e descontos de INSS e imposto de renda. Premissas: uma hora a mais por dia, de segunda a sexta (22 por mês), 11 meses trabalhados e 1 de férias, e o descanso semanal estimado em um sexto das horas extras. Não é promessa de resultado.

Resposta completa: periculosidade
Quanto um motoboy deixa de receber em um ano, sem periculosidade e com uma hora extra por dia
O que entraValor
Periculosidade: R$ 600 por mês, em 12 mesesR$ 7.200,00
Horas extras: 22 por mês, a R$ 17,73, em 11 mesesR$ 4.290,00
Reflexo das horas no descanso semanal (um sexto)R$ 715,00
13º com a periculosidade e a média das horasR$ 990,00
Férias: a média das horas e o terço sobre os doisR$ 720,00
FGTS de 8% sobre as cinco linhas acimaR$ 1.113,20
Total de um ano, antes de correção e jurosR$ 15.028,20
Mãos com calculadora e holerites sobre a mesa

A convenção coletiva do motoboy: onde achar e o que conferir

A convenção coletiva é o acordo do sindicato com as empresas, e ela costuma dar ao motoboy mais do que a lei, como piso, aluguel da moto e seguro. São quatro passos para saber se você está recebendo tudo.

  1. Descubra qual é o seu sindicato

    Em regra, vale o sindicato da atividade principal da empresa. Em muitas cidades, motociclistas e entregadores têm sindicato próprio.

  2. Ache a convenção registrada

    As convenções ficam registradas no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, e o sindicato também tem cópia. Procure a do período em que você trabalhou.

  3. Confira o piso e os benefícios

    Compare o seu holerite com o piso da categoria, o percentual da hora extra, o aluguel da moto, o combustível e o seguro de vida.

  4. Cobre a diferença

    O que a convenção garante e não foi pago pode ser cobrado dos últimos cinco anos, com a multa da própria convenção, quando ela prevê.

As três provas que mais pesam para o motoboy

Quase toda a prova está no seu celular e nos papéis que você já recebe. Guarde antes de sair da empresa, porque depois fica mais difícil.

  • O histórico de entregas

    O sistema da empresa registra a hora da primeira e da última entrega do dia. Prints e relatórios mostram a jornada real.

    Como provar horas extras sem ponto
  • Holerite sem a periculosidade

    Se o holerite não tem a linha do adicional, ele mesmo prova que os 30% nunca foram pagos. Guarde os últimos meses.

    Resposta completa: periculosidade
  • O registro do acidente

    Boletim de ocorrência, atendimento no pronto-socorro e a CAT, que é o aviso do acidente ao INSS, mostram que foi no serviço.

    Como abrir a CAT sem a empresa

Dúvidas de quem trabalha como motoboy

As perguntas que mais chegam de quem trabalha nessa profissão. Se a sua não está aqui, pergunte direto.

Perguntar à advogada no WhatsAppUma pessoa responde em até um dia útil
Motoboy tem direito a periculosidade?

Tem, se usa a moto em vias públicas a serviço da empresa (CLT, art. 193, §4º). São 30% sobre o salário-base. O trajeto entre a casa e o trabalho e o uso eventual da moto ficam de fora. Veja a regra completa da periculosidade.

A moto é minha. A empresa tem que pagar aluguel ou combustível?

A lei não fixa um valor, mas o risco do negócio é da empresa (CLT, art. 2º). Muitas convenções coletivas preveem aluguel da moto e combustível, e o gasto sem reembolso costuma ser cobrado na Justiça.

Quais são os requisitos para trabalhar como motoboy?

A Lei 12.009 exige 21 anos completos, dois anos de habilitação na categoria, curso especializado e colete com faixas refletivas. Quem contrata o motoboy sem cumprir essas regras responde junto pelos danos.

Sofri um acidente de moto na entrega. É acidente de trabalho?

É. O acidente durante o serviço, e também no trajeto entre a casa e o trabalho, conta como acidente de trabalho para o INSS. Com mais de 15 dias de afastamento, o benefício é o acidentário. Veja os direitos de quem sofreu acidente de trabalho.

Entrego por aplicativo. Tenho os mesmos direitos?

Depende. Quem é contratado por uma empresa de entregas, mesmo recebendo os pedidos por aplicativo, pode ser empregado dela. Quem trabalha direto para a plataforma está numa discussão que o STF ainda vai decidir, no Tema 1291. Veja os direitos de quem trabalha por aplicativo.

Quanto custa e quando eu pago?

A forma de cobrança é combinada por escrito na consulta, antes de qualquer assinatura. Enviar o caso para avaliação é sem compromisso.

Os direitos de outras profissões

Cada profissão tem a sua página, com a rotina, os direitos mais cobrados e as provas que contam. Veja também todas as profissões.

Cada mês sem os 30% é dinheiro que fica com a empresa. Peça uma avaliação.

É sigilosa, sem compromisso, e a empresa não fica sabendo. Conte para quem você entrega, o seu salário e a sua rotina, e a advogada diz o que pode ser cobrado.

  1. Uma pessoa lê a sua mensagem

    Em até um dia útil, sem robô e sem menu de opções.

  2. A advogada confere a sua rotina

    Com o holerite e o histórico de entregas, ela vê o que falta: periculosidade, horas e reembolso.

  3. Você decide com calma

    A avaliação não cria contrato, e a empresa não fica sabendo da conversa.

Olá, tudo bem?Fale com a advogada no WhatsApp, com sigilo. Dra. Maryon Portes, advogada trabalhista