Tecnologia e startups

Desenvolvedor PJ com gestor e horário pode ter direitos de empregado.

O CNPJ não decide sozinho: com gestor, horário e o mesmo valor todo mês, a Justiça pode reconhecer o emprego, num tema que o STF ainda discute. Com carteira, o home office, o plantão e a PLR também têm regra. Veja os direitos mais cobrados por quem trabalha em tecnologia e o que guardar desde já.

Jovem lendo um contrato com expressão de dúvida, ao lado do notebook

A rotina de quem trabalha em tecnologia, e o que a lei diz sobre ela

Quatro coisas fazem parte do dia de quem programa, testa ou mantém sistemas, e cada uma tem uma regra na lei. É nelas que costuma estar o dinheiro que fica para trás.

  • CLT, art. 6º

    Gestor, reunião diária e chat

    Ordem dada por chat, e-mail ou quadro de tarefas vale como ordem dada em pessoa. Para quem é PJ, é essa rotina que pode mostrar o emprego.

    Ver o que a Justiça olha no vínculo
  • CLT, art. 62, III

    Home office com horário

    Com horário controlado por login, reunião ou chat, a hora a mais é extra, mesmo em casa. Só fica sem hora extra o teletrabalho por produção ou tarefa.

    Ver quanto valem as horas extras
  • Súmula 428 do TST

    Plantão com o celular ligado

    Ficar numa escala de plantão, esperando chamado pelo celular ou alerta do sistema, é sobreaviso: cada hora vale um terço da hora normal.

    Resposta completa: mensagens e plantão
  • CLT, art. 75-D

    Notebook, internet e energia

    O contrato escrito precisa dizer quem paga o equipamento e a internet. Se ele não diz nada, o gasto comprovado pode ser cobrado, porque o risco é da empresa.

    Cobrar os custos do home office

Os direitos mais cobrados por quem trabalha em tecnologia

Estes são os seis assuntos que mais pesam para quem trabalha em tecnologia, como PJ ou com carteira. Cada um tem uma página com a regra completa, as provas e o prazo.

Quanto um desenvolvedor deixa de receber em um ano, com plantão de fim de semana e uma hora extra por dia

Com salário de R$ 7.500 e 40 horas por semana, um fim de semana de plantão por mês e uma hora extra por dia somam R$ 28.910,25 em um ano. Como só cinco anos podem ser cobrados, em contrato longo cada mês de espera tira em média R$ 2.409,19.

A conta da hora: R$ 7.500 divididos por 200, que é o total de horas pagas no mês de quem trabalha 40 horas por semana, dão R$ 37,50. Com 50% a mais, a hora extra vale R$ 56,25. A hora de sobreaviso vale um terço da hora normal, R$ 12,50 (CLT, art. 244, §2º, e Súmula 428 do TST).

Estimativa sem correção, juros e descontos de INSS e imposto de renda. Premissas: jornada controlada, plantão de 24 horas no sábado e 24 no domingo uma vez por mês, 22 horas extras por mês, 11 meses trabalhados e 1 de férias, e o descanso semanal estimado em um sexto das horas extras. Vale também para o PJ com vínculo reconhecido. Não é promessa de resultado.

Ver como cobrar horas extras dos últimos cinco anos
Quanto um desenvolvedor deixa de receber em um ano, com plantão de fim de semana e uma hora extra por dia
O que entraValor
Sobreaviso: 48 horas por mês, a R$ 12,50, em 11 mesesR$ 6.600,00
Horas extras: 22 por mês, a R$ 56,25, em 11 mesesR$ 13.612,50
Reflexo das horas extras no descanso semanal (um sexto)R$ 2.268,75
13º com a média do sobreaviso e das horas extrasR$ 1.837,50
Férias: a média dos dois e o terço sobre elaR$ 2.450,00
FGTS de 8% sobre as cinco linhas acimaR$ 2.141,50
Total de um ano, antes de correção e jurosR$ 28.910,25
Mesa de trabalho com fone, notebook e celular

A convenção coletiva de quem trabalha em tecnologia: onde achar e o que conferir

A convenção coletiva é o acordo do sindicato com as empresas. No home office e no sobreaviso, o que ela combinar pode prevalecer sobre a lei (CLT, art. 611-A, VIII). São quatro passos para saber se você está recebendo tudo.

  1. Descubra qual é o seu sindicato

    Vale a atividade principal da empresa, e não a sua função. Em empresa de software, costuma ser o sindicato de processamento de dados. Num banco, pode ser outro.

  2. Ache a convenção certa

    No home office, vale a convenção do estabelecimento ao qual você está ligado, não a da sua cidade (CLT, art. 75-B, §7º). Busque no Mediador, do Ministério do Trabalho.

  3. Confira o que ela prevê

    Compare o holerite com o piso e com o que muitas convenções preveem: adicional da hora extra, valor do sobreaviso, ajuda para o home office e PLR.

  4. Cobre a diferença

    O que faltou pode ser cobrado dos últimos cinco anos. Com diploma e salário de dois tetos do INSS ou mais, o contrato pode valer mais que ela em alguns pontos (CLT, art. 444).

As três provas que mais pesam para quem trabalha em tecnologia

Quase toda a prova está nas ferramentas que você usa todo dia, e o acesso costuma ser cortado no dia do desligamento. Guarde o que é seu antes de sair.

  • Mensagens com o gestor

    Ordens, cobranças de prazo e convites de reunião no chat e no e-mail mostram quem mandava no seu dia e em que horário. Tire prints com data.

    Ver como provar o vínculo de emprego
  • Registros de login e de tarefas

    O login, os commits, que marcam a hora de cada envio de código, e o quadro de tarefas mostram a jornada real. Não copie código nem dados de clientes.

    Ver quem precisa provar o horário
  • Escala de plantão e alertas

    A escala de sobreaviso, os alertas de madrugada e os chamados atendidos mostram as horas de plantão e as horas trabalhadas de fato.

    Cobrar as horas de plantão e mensagens

Dúvidas de quem trabalha em tecnologia

As perguntas que mais chegam de quem trabalha nessa profissão. Se a sua não está aqui, pergunte direto.

Perguntar à advogada no WhatsAppUma pessoa responde em até um dia útil
Sou desenvolvedor PJ. Tenho direito a férias, 13º e FGTS?

Pelo contrato de PJ, não. Mas, se a rotina era de empregado, com gestor, horário e pagamento todo mês, o vínculo pode ser reconhecido, e esses direitos entram na conta (CLT, arts. 3º e 9º). Quando o PJ é válido está em discussão no STF, no Tema 1389. Veja como a Justiça olha a pejotização.

Trabalho em home office. Tenho direito a hora extra?

Tem, se trabalha por jornada, com horário controlado por login, reunião ou chat. A CLT só tira a hora extra do teletrabalho por produção ou tarefa, em que se cobra a entrega, e não o horário (art. 62, III). Se o contrato fala em produção, mas o horário era controlado, costuma valer a rotina real.

Fico de plantão e respondo mensagens fora do horário. Isso é pago?

Plantão em escala, esperando chamado pelo celular ou alerta, é sobreaviso: cada hora vale um terço da hora normal (Súmula 428 do TST), e o chamado atendido é hora extra. Só ter o celular da empresa não basta (CLT, art. 75-B, §5º). A CLT não tem regra própria de desconexão, mas garante os descansos também em casa (art. 75-B, §9º).

Fui demitido por mensagem, num corte de equipe. Isso vale?

Em regra, vale, e a mensagem ajuda a provar a data. O acerto tem prazo: dez dias para pagar e entregar os documentos, ou a empresa deve mais um salário (CLT, art. 477). Na demissão em massa, o STF exige ouvir o sindicato antes, sem precisar de acordo (Tema 638). Veja o prazo e a multa do acerto.

Saí antes da PLR ou do bônus. Perco tudo?

Não necessariamente. Com programa de PLR, quem sai antes recebe a parte proporcional aos meses trabalhados (Súmula 451 do TST), e o TST já aplicou essa regra ao bônus por meta. Stock options, o direito de comprar ações por preço fixado antes, costumam ficar fora do salário e seguir as regras do plano.

Quanto custa e quando eu pago?

A forma de cobrança é combinada por escrito na consulta, antes de qualquer assinatura. Enviar o caso para avaliação é sem compromisso.

Os direitos de outras profissões

Cada profissão tem a sua página, com a rotina, os direitos mais cobrados e as provas que contam. Veja também todas as profissões.

PJ ou com carteira, a rotina é que mostra o que dá para cobrar. Peça uma avaliação.

É sigilosa, sem compromisso, e a empresa não fica sabendo. Conte como foi contratado, quanto recebe e como é a sua rotina, e a advogada diz o que pode ser cobrado.

  1. Uma pessoa lê a sua mensagem

    Em até um dia útil, sem robô e sem menu de opções.

  2. A advogada confere a sua rotina

    Com as mensagens, os pagamentos e a escala de plantão, ela vê o que falta: vínculo, horas e sobreaviso.

  3. Você decide com calma

    A avaliação não cria contrato, e a empresa não fica sabendo da conversa.

Olá, tudo bem?Fale com a advogada no WhatsApp, com sigilo. Dra. Maryon Portes, advogada trabalhista