Salão de beleza

No salão, “parceira” sem contrato homologado pode ser empregada com carteira.

A parceria do salão (Lei 13.352) só vale com contrato escrito, conferido pelo sindicato, que é a homologação. Sem ele, ou com horário imposto, agenda do salão e punição, a Justiça pode reconhecer o emprego, com FGTS, 13º e férias. Vale para cabeleireiro, manicure, esteticista e recepcionista. Veja os direitos mais cobrados e o que guardar desde já.

Trabalhadora no balcão de atendimento, com o olhar distante

A rotina de quem trabalha em salão de beleza, e o que a lei diz sobre ela

Quatro situações aparecem em quase todo salão, e cada uma tem regra na lei. É nelas que costuma estar o dinheiro que fica de fora quando a profissional é chamada de parceira sem ser.

  • CLT, art. 3º

    Sinais de que a rotina é de emprego

    Emprego é trabalhar com horário imposto, agenda do salão, punição por falta e exclusividade, em troca de pagamento. Quem tem esses sinais pode pedir o vínculo, mesmo sem carteira.

    Resposta completa: trabalho sem registro
  • CLT, art. 189

    Alisante, formol e tinta

    O contato com produtos químicos dá adicional de insalubridade, que é o adicional por exposição à saúde, quando passa do limite. Quase sempre só a perícia mostra se passou.

    Resposta completa: insalubridade
  • CLT, art. 457

    A caixinha do cliente

    A gorjeta que o cliente deixa faz parte da remuneração de quem é empregada, e entra no cálculo do FGTS, do 13º e das férias. Se o salão a retém, o valor pode ser cobrado.

    Resposta completa: recebo por fora

Os direitos mais cobrados por quem trabalha em salão de beleza

Estes são os seis assuntos que mais pesam para cabeleireiros, manicures, esteticistas e recepcionistas. Cada um tem uma página com a regra completa, as provas e o prazo.

Quanto uma manicure “parceira”, sem contrato homologado, pode cobrar de 24 meses de trabalho

Com média de R$ 2.400 por mês, o 13º, as férias e o FGTS de dois anos somam R$ 16.192,00 se o vínculo for reconhecido. Como a cobrança alcança os últimos cinco anos, cada mês de espera tira em média R$ 674,67 da conta.

A profissional recebia 50% do valor dos serviços, em média R$ 2.400 por mês, e nunca assinou contrato de parceria homologado. O 13º e as férias saem pela média, de cada um dos dois anos. As férias são simples, de cada período: a dobra depende do prazo em que o descanso deveria ter sido dado, e a conta fica na página sobre férias em dobro.

Estimativa sem correção, juros e descontos de INSS e imposto de renda, e sem a multa de 40% do FGTS nem o aviso prévio, que só entram se o contrato terminar. O FGTS é de 8% sobre os 24 meses e o 13º. Não é promessa de resultado.

Ver quando as férias são devidas em dobro
Quanto uma manicure “parceira”, sem contrato homologado, pode cobrar de 24 meses de trabalho
O que entraValor
13º de dois anos, pela média de R$ 2.400R$ 4.800,00
Férias de dois períodos, pela média de R$ 2.400R$ 4.800,00
Um terço a mais sobre as fériasR$ 1.600,00
FGTS de 8% sobre 24 meses e o 13ºR$ 4.992,00
Total de dois anos, antes de correção e jurosR$ 16.192,00
Mãos com calculadora e holerites sobre a mesa

A convenção coletiva do salão de beleza: onde achar e o que conferir

A convenção coletiva é o acordo do sindicato com os salões. Para quem trabalha em salão, o sindicato pesa em dois pontos: a lei manda homologar o contrato de parceria nele, e a convenção pode trazer piso e regra de folga. São quatro passos.

  1. Descubra qual é o seu sindicato

    Procure o sindicato dos trabalhadores em salões de beleza da sua região. O nome muda de cidade para cidade, e o do cabeleireiro pode ser diferente do da manicure.

  2. Pergunte pela homologação

    Quem assina como parceira deve ter o contrato conferido no sindicato. Pergunte se o seu consta nos registros: se não consta, a parceria não vale.

  3. Ache a convenção registrada

    As convenções ficam no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, e o sindicato também tem cópia. Procure a do período em que você trabalhou.

  4. Compare e cobre a diferença

    Veja piso, comissão mínima e folga em feriado, e compare com o que você recebeu. O que ficou sem pagamento pode ser cobrado dos últimos cinco anos.

As três provas que mais pesam em quem trabalha em salão

Quase toda a prova está na agenda do salão e no seu celular. Guarde antes de sair do salão, porque depois fica mais difícil.

  • A agenda e o aplicativo do salão

    A agenda mostra quem marcou, em que horário e por quanto tempo você ficou. Salão que organiza o seu dia está dirigindo o trabalho, e isso é sinal de emprego.

    Como provar horas extras sem ponto
  • As mensagens da dona ou do gerente

    Ordens de horário, cobrança de falta, ameaça de tirar clientes e aviso de regra do salão provam subordinação, que é receber ordens.

    Ver se print de WhatsApp vale como prova
  • O repasse de cada serviço

    Extrato do banco, comprovante de Pix e anotação dos serviços mostram quanto você recebeu, por quanto tempo e se o repasse bate com a porcentagem combinada.

    Ver como provar o pagamento por fora

Dúvidas de quem trabalha em salão de beleza

As perguntas que mais chegam de quem trabalha nessa profissão. Se a sua não está aqui, pergunte direto.

Perguntar à advogada no WhatsAppUma pessoa responde em até um dia útil
Cabeleireiro, manicure e esteticista podem ter carteira assinada?

Podem, e muitos têm. O salão pode escolher a parceria, mas só vale com contrato escrito, homologado no sindicato e com duas testemunhas. Sem ele, a lei diz que há vínculo de emprego. Veja a regra do contrato de parceria.

O salão fica com parte do que eu cobro. Isso é legal?

Na parceria válida, sim: a lei diz que a parte do salão é pelo aluguel das cadeiras e dos equipamentos e pelos serviços de gestão, e a porcentagem tem de estar no contrato (Lei 12.592, art. 1º-A). Na parceria sem contrato, essa divisão pode virar comissão de empregada, com todos os direitos.

Recepcionista e auxiliar de salão podem ser parceiras?

Não. A parceria vale para cabeleireiro, barbeiro, esteticista, manicure, pedicure, depilador e maquiador. Recepcionista, auxiliar de lavagem e caixa são empregadas comuns, com carteira, horas extras e FGTS.

Esteticista que usa ácido e aparelho tem adicional de insalubridade?

Pode ter, se a perícia mostrar contato com agente químico ou biológico acima do limite. Só usar o produto não basta, e o salão deve dar luva, máscara e treino. Veja como funciona o adicional de insalubridade.

Posso pedir o vínculo ainda trabalhando no salão?

Pode. Durante o trabalho, a cobrança alcança os últimos cinco anos, e depois que sai o prazo para entrar com a ação é de dois anos (Constituição, art. 7º, XXIX). Veja as respostas para quem tem medo de processar.

Quanto custa e quando eu pago?

A forma de cobrança é combinada por escrito na consulta, antes de qualquer assinatura. Enviar o caso para avaliação é sem compromisso.

Os direitos de outras profissões

Cada profissão tem a sua página, com a rotina, os direitos mais cobrados e as provas que contam. Veja também todas as profissões.

Cada mês de “parceria” sem contrato válido é FGTS que não foi depositado. Peça uma avaliação.

É sigilosa, sem compromisso, e o salão não fica sabendo. Conte como é o seu contrato, quanto o salão fica de cada serviço e como é o seu horário, e a advogada diz o que pode ser cobrado.

  1. Uma pessoa lê a sua mensagem

    Em até um dia útil, sem robô e sem menu de opções.

  2. A advogada confere o seu contrato

    Com o contrato, a agenda e os repasses, ela vê se há vínculo, comissão ou adicional a cobrar.

  3. Você decide com calma

    A avaliação não cria contrato, e o salão não fica sabendo da conversa.

Olá, tudo bem?Fale com a advogada no WhatsApp, com sigilo. Dra. Maryon Portes, advogada trabalhista