Na farmácia, domingo sem folga na semana vale em dobro.
Balconista, atendente, caixa e farmacêutico trabalham em escalas pesadas, e muitas lojas abrem 24 horas. O domingo trabalhado sem folga em outro dia da semana é pago em dobro, e o desconto de diferença de caixa ou de produto vencido costuma ser proibido. Veja os direitos mais cobrados pelo trabalhador de farmácia e pelo farmacêutico empregado, e o que guardar desde já.
A rotina de quem trabalha em farmácia, e o que a lei diz sobre ela
Quatro situações fazem parte do dia a dia de balconistas, atendentes, caixas e farmacêuticos, e cada uma tem regra na lei. É nelas que costuma estar o dinheiro que a rede deixa de pagar.
Lei 13.021, art. 6º, I
Farmacêutico em todo o horário
A lei exige farmacêutico presente durante todo o horário de funcionamento. Sem substituto, o farmacêutico empregado costuma ficar sem pausa, e o tempo cortado vale 50% a mais.
Das 22h às 5h, a hora tem 52 minutos e 30 segundos e vale pelo menos 20% a mais. Quem trabalha à noite recebe esse adicional também sobre as horas extras.
A escala de 12 horas de trabalho e 36 de folga precisa de acordo escrito ou convenção. O salário do mês já paga o descanso semanal e o feriado, mas a hora a mais é extra.
Desconto por dano só vale se foi combinado por escrito ou se houve dolo, que é a vontade de causar o dano. Quebra de caixa, furto e vencimento são risco do negócio, e quem paga é a empresa.
Os direitos mais cobrados por quem trabalha em farmácia
Estes são os seis assuntos que mais pesam para balconistas, atendentes, caixas e farmacêuticos. Cada um tem uma página com a regra completa, as provas e o prazo.
Aplicar injeção e vacina expõe a material biológico. O adicional de insalubridade costuma depender de perícia que prove o contato permanente com o risco.
Quanto um balconista de farmácia pode cobrar em um ano, com dois domingos por mês sem folga na semana
Com salário de R$ 1.950 e dois domingos por mês trabalhados sem folga compensatória, a dobra e os reflexos somam R$ 4.024,80 em um ano. Como a cobrança alcança os últimos cinco anos, cada mês de espera tira em média R$ 335,40 da conta.
A conta do dia: o salário de R$ 1.950 dividido por 30 dá R$ 65,00. Pela Súmula 146 do TST, cada domingo sem folga é pago em dobro, R$ 130,00, além do salário do mês, num total de 24 domingos. Como a dobra não é hora extra, o descanso semanal não é pago à parte.
Estimativa sem correção, juros e descontos de INSS e imposto de renda. Premissas: farmácia 24 horas, 12 meses, nenhuma folga compensatória na semana e média mensal da dobra no 13º e nas férias, com o terço. O FGTS entra sobre a dobra e os reflexos. Não é promessa de resultado.
Quanto um balconista de farmácia pode cobrar em um ano, com dois domingos por mês sem folga na semana
O que entra
Valor
Domingos sem folga: 24 dias, a R$ 130,00
R$ 3.120,00
13º com a média da dobra
R$ 260,00
Férias: a média da dobra e o terço
R$ 346,67
FGTS de 8% sobre a dobra e os reflexos
R$ 298,13
Total de um ano, antes de correção e jurosR$ 4.024,80
A convenção coletiva da farmácia: onde achar e o que conferir
A convenção coletiva é o acordo do sindicato com as redes e as lojas. Na farmácia, é nela que costumam estar o piso salarial, o adicional de domingo e a regra das folgas. São quatro passos para saber se você está recebendo tudo.
01
Descubra qual é a sua convenção
Balconista e caixa costumam seguir a convenção do comércio de farmácias da região. O farmacêutico, por ser profissão regulamentada, pode ter convenção própria, do sindicato dos farmacêuticos.
02
Ache a convenção registrada
As convenções ficam registradas no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, e o sindicato também tem cópia. Procure a do período em que você trabalhou.
03
Compare piso, domingo e folga
Veja o piso da sua função, o que ela diz sobre domingo e feriado e se a folga pode ser em outro dia. Compare com o holerite.
04
Cobre a diferença
O que a convenção garante e não foi pago pode ser cobrado dos últimos cinco anos, com a multa da própria convenção, quando ela prevê.
As três provas que mais pesam em quem trabalha em farmácia
Quase toda a prova está na escala da loja e no seu celular. Guarde antes de sair da empresa, porque depois fica mais difícil.
A escala e o ponto da loja
A escala de plantões e o ponto mostram os domingos trabalhados e a folga que não veio. Ponto com horário sempre igual não vale como prova (Súmula 338 do TST).
Atendente de farmácia que aplica injeção tem adicional de insalubridade?
Pode ter. Aplicar injeção e vacina expõe a material biológico, e o adicional, de 10%, 20% ou 40% do salário mínimo conforme o grau, costuma depender de perícia que comprove o contato permanente. Veja como funciona o adicional de insalubridade.
A farmácia pode descontar produto vencido ou furtado do meu salário?
Em regra, não. Desconto por dano só vale se foi combinado por escrito ou se houve dolo (CLT, art. 462). Quebra de caixa, furto e produto vencido por falta de giro são risco do negócio. Veja o que a empresa pode descontar do salário.
Sou farmacêutico e ninguém me cobre no almoço. Tenho direito ao intervalo?
Tem. A lei exige farmacêutico presente em todo o horário (Lei 13.021, art. 6º), e isso obriga a rede a pôr um substituto, e não a cortar a sua pausa. O intervalo cortado vale 50% a mais. Veja como cobrar o intervalo não dado.
Fui contratado como farmacêutico PJ, mas cumpro horário. Posso pedir carteira?
Pode, se na prática você tem horário, ordens e rotina de empregado, porque o que vale é a realidade e não o nome do contrato. Veja como funciona o pedido de vínculo para PJ.
Balconista de farmácia segue as regras do comércio? E se a farmácia é de hospital?
Cada domingo sem folga na semana é dinheiro que fica com a rede. Peça uma avaliação.
É sigilosa, sem compromisso, e a empresa não fica sabendo. Conte qual é a sua função, a sua escala e quantos domingos você trabalha por mês, e a advogada diz o que pode ser cobrado.