Hospital, clínica e laboratório

Quem trabalha em hospital pode ter insalubridade de 20% a 40%, mesmo fora da enfermagem.

A lista oficial dos agentes biológicos, que são vírus e bactérias, dá 20% a quem tem contato permanente com paciente ou com material infectante, e 40% a quem lida com paciente em isolamento. No plantão de 12x36, o feriado já vem pago no salário, mas a noite e o plantão a mais, não. Veja o que vale para recepção, higienização, maqueiro, laboratório, radiologia e farmácia.

Técnica de enfermagem sentada no posto de trabalho

A rotina de quem trabalha em hospital, clínica e laboratório, e o que a lei diz sobre ela

Quatro situações fazem parte do dia de quem trabalha na saúde sem ser da enfermagem, e cada uma tem uma regra na lei. É nelas que costuma estar o dinheiro que o hospital deixa de pagar.

  • NR-15, Anexo 14

    Contato com paciente no dia a dia

    Contato permanente com paciente, ou com os objetos dele não esterilizados, em hospital, clínica ou posto de vacinação dá 20% do salário mínimo. No isolamento de doença infectocontagiosa, são 40%.

    Resposta completa: insalubridade
  • CLT, art. 59-A

    Plantão de 12 por 36

    Na 12x36, o salário do mês já paga o descanso semanal e os feriados. O intervalo tem que ser dado ou pago, e o plantão a mais é hora extra.

    Resposta completa: escalas e 12x36
  • CLT, art. 73

    Plantão da noite no hospital

    As horas entre 22h e 5h valem pelo menos 20% a mais. No plantão das 19h às 7h, a lei considera compensada a prorrogação depois das 5h, e o adicional continua valendo para a noite.

    Ver como funciona o adicional noturno
  • Lei 7.394 e OJ 345 do TST

    Radiação no setor de imagem

    A lei do técnico em radiologia prevê jornada de 24 horas semanais, e o TST reconhece 30% de periculosidade pela radiação ionizante, a dos aparelhos de raio X. O que passa da jornada pode ser cobrado como extra.

    Resposta completa: periculosidade

Os direitos mais cobrados por quem trabalha em hospital, clínica e laboratório

Estes são os seis assuntos que mais pesam para quem trabalha na saúde fora da enfermagem. Cada um tem uma página com a regra completa, as provas e o prazo.

Quanto um trabalhador de hospital deixa de receber em um ano, sem o adicional noturno do plantão de 12x36

Com salário de R$ 1.800 e 15 plantões da noite por mês, o adicional noturno que ficou sem pagar e os reflexos somam R$ 2.443,52 em um ano. Como a cobrança alcança os últimos cinco anos, cada mês de espera tira em média R$ 203,63 da conta.

A conta da hora: o salário de R$ 1.800 dividido por 220, o total de horas do mês que o TST costuma usar também na 12x36, dá R$ 8,18. O adicional de 20% é R$ 1,64 por hora noturna, com os valores arredondados em centavos. Cada plantão das 19h às 7h tem 7 horas entre 22h e 5h, ou 105 horas por mês. A conta é prudente: a prorrogação depois das 5h fica de fora, porque a lei a considera compensada na 12x36 (CLT, art. 59-A, parágrafo único).

Estimativa sem correção, juros e descontos de INSS e imposto de renda. Premissas: auxiliar de higienização ou maqueiro, 15 plantões por mês, 11 meses trabalhados e 1 de férias, sem reflexo no descanso semanal, porque na 12x36 a lei diz que o salário do mês já o abrange. O FGTS entra sobre o adicional e os reflexos. Não é promessa de resultado.

Resposta completa: adicional noturno
Quanto um trabalhador de hospital deixa de receber em um ano, sem o adicional noturno do plantão de 12x36
O que entraValor
Adicional noturno: 105 horas por mês, a R$ 1,64, em 11 mesesR$ 1.894,20
13º com a média do adicionalR$ 157,85
Férias: a média e o terçoR$ 210,47
FGTS de 8% sobre o adicional e os reflexosR$ 181,00
Total de um ano, antes de correção e jurosR$ 2.443,52
Mãos com calculadora e holerites sobre a mesa

A convenção coletiva de quem trabalha em hospital e clínica: onde achar e o que conferir

A convenção coletiva é o acordo do sindicato com os hospitais e as clínicas, e ela costuma dar mais do que a lei, como piso por função, adicional noturno maior e regras da 12x36. São quatro passos para saber se você está recebendo tudo.

  1. Descubra qual é o seu sindicato

    Em hospital e clínica, costuma valer o sindicato dos trabalhadores em estabelecimentos de saúde da cidade. Quem é de empresa terceirizada segue o da empresa, como o de asseio e conservação.

  2. Ache a convenção registrada

    As convenções ficam registradas no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho, e o sindicato também tem cópia. Procure a do período em que você trabalhou.

  3. Confira adicional, escala e piso

    Veja o que ela diz sobre a 12x36, o intervalo, o adicional noturno e a insalubridade. Compare o holerite com o piso da sua função, como maqueiro, recepção ou higienização.

  4. Cobre a diferença

    O que a convenção garante e não foi pago pode ser cobrado dos últimos cinco anos, com a multa da própria convenção, quando ela prevê.

As três provas que mais pesam para quem trabalha na saúde

Quase toda a prova está na escala, no holerite e no seu celular. Não fotografe prontuário nem dado de paciente: se for preciso, o juiz pode mandar o hospital apresentar os registros.

  • A escala e o ponto do plantão

    A escala do setor e o ponto mostram as dobras e a saída real. Ponto sempre igual, das 19h às 7h, não vale como prova (Súmula 338 do TST).

    Como provar horas extras sem ponto
  • O holerite e o programa de riscos

    O holerite mostra se a insalubridade vem e em qual grau. O PGR, que é o programa de riscos do hospital, diz quais agentes existem em cada setor.

    Resposta completa: insalubridade
  • O registro do acidente

    A CAT, os exames feitos no mesmo dia da furada ou do corte e o registro no setor de segurança provam que tudo aconteceu no serviço. Peça cópia de tudo.

    Como abrir a CAT sem a empresa

Dúvidas de quem trabalha em hospital, clínica e laboratório

As perguntas que mais chegam de quem trabalha nessa profissão. Se a sua não está aqui, pergunte direto.

Perguntar à advogada no WhatsAppUma pessoa responde em até um dia útil
Trabalho na enfermagem ou na farmácia do hospital. Esta página vale para mim?

Em parte. Técnico de enfermagem e enfermeiro, com piso e regras próprias, têm página própria: veja os direitos de quem trabalha na enfermagem. Para a farmácia hospitalar, veja os direitos de quem trabalha em farmácia.

Trabalho na higienização, na recepção ou no administrativo. Tenho insalubridade?

Quem limpa quarto e enfermaria tem contato permanente com paciente e com os objetos dele, e a NR-15 dá 20%, ou 40% no isolamento. Recepção e administrativo costumam ficar de fora, e o TST ainda vai fixar a tese no Tema 209, sobre quem trabalha no hospital sem função ligada à saúde. Veja os direitos de quem trabalha na limpeza terceirizada.

Trabalho em laboratório ou em clínica pequena. A regra muda?

A lista da NR-15 inclui clínicas, ambulatórios e outros estabelecimentos de saúde, e vale o contato permanente com paciente, e não o tamanho do lugar. No laboratório de análises clínicas, o grau médio vale para o pessoal técnico. Quem só atende no balcão costuma ficar de fora.

Sou técnico em radiologia. Tenho jornada menor?

A lei da profissão, a Lei 7.394, prevê jornada de 24 horas semanais, e o TST reconhece periculosidade de 30% pela radiação ionizante (OJ 345 da SDI-1). Jornada maior no contrato pode render horas extras. Veja a regra completa da periculosidade.

Sofro humilhação da chefia do setor. Isso conta?

Cobrança com ofensa, ameaça ou isolamento, repetida, pode ser assédio moral, e a doença que vem dele tem os direitos do acidente de trabalho. Guarde mensagens e nomes de quem viu. Veja a regra completa do assédio moral.

Quanto custa e quando eu pago?

A forma de cobrança é combinada por escrito na consulta, antes de qualquer assinatura. Enviar o caso para avaliação é sem compromisso.

Os direitos de outras profissões

Cada profissão tem a sua página, com a rotina, os direitos mais cobrados e as provas que contam. Veja também todas as profissões.

Cada plantão da noite sem o adicional é dinheiro que fica com o hospital. Peça uma avaliação.

É sigilosa, sem compromisso, e a empresa não fica sabendo. Conte onde você trabalha, a sua função e a sua escala, e a advogada diz o que pode ser cobrado.

  1. Uma pessoa lê a sua mensagem

    Em até um dia útil, sem robô e sem menu de opções.

  2. A advogada confere a sua função

    Com o holerite, a escala e o laudo de riscos, ela vê o que falta: insalubridade, adicional noturno e horas extras.

  3. Você decide com calma

    A avaliação não cria contrato, e a empresa não fica sabendo da conversa.

Olá, tudo bem?Fale com a advogada no WhatsApp, com sigilo. Dra. Maryon Portes, advogada trabalhista